Servidores temem prejuízo com ‘extinção às pressas’ da Companhia Energética de Roraima

Servidores da Companhia Energética de Roraima (Cerr) temem sair prejudicados com a extinção da estatal. É que nesta semana, uma reunião “convocada às pressas” para discutir o processo de liquidação da companhia não seguiu ritos previstos no regimento da companhia. Após pressão dos concursados, o encontro foi cancelado.

A preocupação cresceu após Roraima em Tempo revelar nessa sexta-feira (9) que uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve resultar no bloqueio de mais de R$ 11 milhões. A dúvida entre os servidores é se a penhora de bens vai resultar no atraso de salários.

“Estamos de olho na Cecília Lorenzom [presidente da Cerr]. Segunda-feira [5], tomamos conhecimento que ela publicou uma convocação dos acionistas. Eles querem provocar a dissolução da companhia, e para nós sempre ficou subentendido que no momento em que a empresa é extinta, podemos ser exonerados”, disse um servidor sob anonimato.

De acordo com uma fonte da reportagem, a convocação descumpriu requisitos, como a convocação durante três dias consecutivos em jornal de grande circulação ou no próprio mural da empresa, além do Diário Oficial do Estado (DOE). “Foi publicada uma única vez no DOE, escondido, sem passar pela comunicação da Cerr”, frisou.

Os trabalhadores tomaram conhecimento da chamada dos acionistas e pressionaram o governo para que a reunião fosse adiada. Após encontro com o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), deputado Soldado Sampaio (PC do B), a reunião marcada para o dia 7 de julho foi cancelada e não tem data para ocorrer.

“Fomos para cima do Flamarion Portela [chefe da Casa Civil], nos reunimos com o Jorge Everton e o Evangelista Siqueira, que são nossos parceiros, nos movimentamos. Não podemos ser prejudicados. Querem acabar com a gente”, comentou outro servidor, ao acrescentar que uma audiência pública sobre o caso deve ser feita na terça-feira (13).

CITADA

A Cerr informou que o perfil do governo é cumprir com as obrigações e resguardar os direitos. Por isso, respeitando a Emenda Constitucional 32/2001, a reunião que era para formalizar o processo de liquidação foi adiada.

“Está sendo criada a agência reguladora que vai absorver os empregados públicos, dando uma destinação a toda mão de obra da empresa. A Cerr perdeu a concessão ainda em 2016, na gestão anterior, tendo acumulado dívidas milionárias referentes a questões trabalhistas e aos próprios direitos dos empregados”, frisou.

Reforçou que a atual gestão, além de pagar os dissídios coletivos e acordo coletivo assinado em 2020, “está pagando também as dívidas anteriores, inclusive as verbas rescisórias de pessoas que foram demitidas na gestão passada, sem nenhuma indenização”.

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