A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nesta sexta-feira (9) uma carta na qual cobra apuração “irrestrita e imparcial” das denúncias feitas em relação à pandemia. Especialistas avaliam que o tom do documento é duro frente a posicionamentos anteriores da organização.
O bispo de Roraima, D. Mário Antônio da Silva, assina a carta. Ele é o 2º vice-presidente da CNBB. Também assinaram o arcebispo de Belo Horizonte, D. Walmor Oliveira de Azevedo (presidente), o arcebispo de Porto Alegre, D. Jaime Spengler (1º Vice-Presidente), e o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, D. Joel Portella Amado (secretário).
Na carta, eles escrevem que levantam a voz para defender vidas ameaçadas, direitos desrespeitados e apoiar a restauração da justiça, fazendo valer a verdade. Eles dizem ainda que o momento grave da pandemia da Covid-19 exige coragem, sensatez e pronta correção de rumos.
“A trágica perda de mais de meio milhão de vidas está agravada pelas denúncias de prevaricação e corrupção no enfrentamento da pandemia da Covid-19. Apoiamos e conclamamos às instituições da República para que, sob o olhar da sociedade civil, sem se esquivar, efetivem procedimentos em favor da apuração, irrestrita e imparcial, de todas as denúncias, com consequências para quem quer que seja, em vista de imediata correção política e social dos descompassos”, cobram.
O posicionamento ocorre em meio às apurações da CPI da Covid, do Senado Federal, que busca saber se houve omissão do Governo Federal durante a pandemia, com foco no Amazonas, onde pessoas morreram por falta de oxigênio.
A demora na compra de vacinas e a suspeita de propina para adquirir doses dos imunizantes ganharam destaque nesta semana, tendo como resultado a prisão do ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias. Senadores da cúpula da CPI pediram posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas ele escreveu: “Caguei para a CPI”.
RORAIMA
Diversos ofícios foram enviados aos governos estaduais para que sejam enviadas à comissão informações sobre a aplicação de recursos no enfrentamento à doença. Os senadores também querem saber sobre a utilização recursos federais nos estados onde teve operação de combate aos desvios de verbas públicas.
Roraima está na mira da CPI devido às duas operações da Polícia Federal (PF) no estado para combater a lavagem de dinheiro por meio de contratos fraudulentos com empresas ligadas a políticos locais. As investigações continuam.
O governador Antonio Denarium (sem partido) chegou a ser convocado para depor à CPI e explicar os fatos que levaram à deflagração das diligências, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a convocação.
Quem deve ser ouvido é o atual secretário da Saúde de Roraima, Airton Cascavel, para esclarecer medidas do Governo Federal na época em que esteve como assessor do Ministério da Saúde.