A Procuradoria Geral da República (PGR) sinalizou nesta sexta-feira (2) o interesse de ouvir o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no inquérito que deverá ser aberto pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar se ele cometeu crime de prevaricação em relação ao contrato de intenção de compra da vacina indiana Covaxin.
O caso veio a público no dia 25 de junho, durante depoimento do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, o servidor público Luis Ricardo Miranda, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado. Ambos afirmaram ter avisado ao presidente sobre as irregularidades na compra do imunizante.
No pedido encaminhado para a abertura de inquérito, a PGR fez uma série de recomendações, entre elas a de “ouvir os supostos autores do fato”. Não há citação nominal, mas acredita-se que o item está relacionado à Bolsonaro e ao ex-ministro da saúde, Eduardo Pazuello. Outras pessoas também devem ser ouvidas.
Mesmo que a PGR tenha manifestado interesse em ouvir o presidente, a forma como o depoimento será colhido ainda é incerto. Vários caminhos podem ser tomados, entre eles a prestação de esclarecimentos por escrito ou a de informar ao STF que não responderá nenhum questionamento. A decisão caberá à própria ministra.
Vale lembrar que Bolsonaro tenta evitar, até hoje, depoimento presencial em outros inquéritos, o que apura a suposta tentativa de interferência nas ações da Polícia Federal (PF). A denúncia foi feita pelo ex-ministro Sérgio Moro. A decisão sobre como será realizado o depoimento está marcada para acontecer no dia 29 de setembro no STF.