Oposição e movimentos sociais protocolam superpedido de impeachment contra Bolsonaro

Lideranças da oposição e de movimentos sociais protocolaram na tarde desta quarta-feira (30) o superpedido de impeachment contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), mas sem apoio político para prosperar na Câmara dos Deputados.

De acordo com o Jornal Folha de São Paulo, o superpedido é resultado de uma articulação que envolve partidos de oposição e ex-apoiadores do governo. O grupo reúne cerca de 140 deputados. Para passar pela Câmara, são necessários 342 votos dos 513 deputados.

Além dos parlamentares, a medida também conta com o apoio de centrais sindicais, movimentos sociais, associações de juristas e personalidades. No pedido, o grupo relata que até esta quarta-feira, foram protocolados 122 denúncias de práticas de crime de responsabilidade junto à Câmara dos Deputados – 6 delas foram arquivadas.

 

Na terça-feira (29), a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, havia indicado que o superpedido poderá futuramente ser ampliado após a repercussão de denúncia feita por Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que afirmou ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina para fechar contrato com o Ministério da Saúde.

Vale lembrar que antes de ser levado para a votação, o pedido passa antes pela análise do presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL). Caso haja autorização, ela segue para apreciação em comissão especial e depois pelo Plenário da Câmara.

Atingindo os 342 votos necessários, ela vai para o Senado. Nesse período, o presidente da República é afastado do cargo, assumindo o vice.

Caso o pedido consiga obter o apoio de pelo menos 54 dos 81 senadores, o presidente é afastado em definitivo, assim com ocorreu com Fernando Collor (1992), que pediu renúncia antes da decisão final do Senado, e Dilma Rousseff (2016).

ALGUMAS ENTIDADES QUE ASSINAM O SUPERPEDIDO DE IMPEACHMENT

  • PT (Partido dos Trabalhadores)
  • PDT (Partido Democrático Trabalhista)
  • PSB (Partido Socialista Brasileiro)
  • PC do B (Partido Comunista do Brasil)
  • PSOL (Partido Socialismo e Liberdade)
  • ABDJ (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia)
  • MBL (Movimento Brasil Livre)
  • Coalisão Negra por Direitos
  • Rafael Echeverria Lopes e Enilde Neres Martins (Ambientalistas)
  • Mauro Menezes (Advogado e ex-presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República)
  • Deputados Alexandre Frota e Joice Hasselmann (Ex-aliados de Bolsonaro)

ALGUNS CRIMES DESCRITOS NO DOCUMENTO

  • Crime contra o livre exercício dos poderes (Ameaças contra o Congresso, STF e interferência na Polícia Federal);
  • Tentativa de dissolver ou impedir o funcionamento do Congresso (Declarações do presidente e participação em atos antidemocráticos);
  • Ameaças contra representantes da nação para coagi-los (Bolsonaro declarou que “sairia na porrada” com o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), membro da CPI da Covid);
  • Crimes contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais (Omissões e erros no combate a pandemia);
  • Incitar militares a desobedecer a lei ou infração à disciplina (Ir a manifestações a favor da intervenção militar);
  • Permitir a infração de lei federal de ordem pública (Promover revolta contra o isolamento social na pandemia);
  • Crime contra a probidade na administração (Gestão da pandemia e ataques ao processo eleitoral);
  • Negligenciar a conservação do patrimônio nacional (Gestão financeira na pandemia e atrasos no atendimento das demandas dos estados e municípios);
  • Blindar subordinados em casos de delito (Não pediu investigação de supostas irregularidades na Covaxin)

 

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