Em novo ataque garimpeiros afundam canoa com crianças na Terra Yanomami em Roraima

A Hutukara Associação Yanomami denunciou nessa sexta-feira (18) um novo ataque feito por garimpeiros na Terra Indígena Yanomami. Esse foi o terceiro ataque em menos de uma semana, e o nono em pouco mais de um mês.

O vice-presidente da Hutukara, Dário Kopenawa, narrou ao Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF), Exército, e Fundação Nacional do Índio (Funai), que garimpeiros afundaram uma canoa onde estavam seis crianças de aproximadamente 11 anos, e outros dois jovens.

“[Eles] estavam pescando no Rio Uraricoera, próximo à comunidade Tipolei, quando um barco com cinco garimpeiros armados se aproximou. Os garimpeiros aceleraram contra os Yanomami e bateram com o barco na canoa deles, fazendo com que os indígenas caíssem na água e a canoa afundasse”, descreveu.

Tipolei é a quarta comunidade a ser atacada. Yakepraopë foi a primeira, em 10 de maio, a ser alvo de tiros. Na ocasião, garimpeiros foram feridos pelos indígenas e, desde então, os ataques são constantes. Depois, bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas contra Maikohipi, e, nesta semana, os invasores atiraram contra Korekorema.

No novo episódio informado pela associação, Dário disse que os jovens e crianças conseguiram fugir pelo rio e pela mata, enquanto ouviam os garimpeiros chamar por eles, oferecendo bolachas e alimentos.

“Assustados com o ataque e temendo por suas vidas, fugiram até Yakepraopë. Os Yanomami continuam sujeitos aos recorrentes ataques e hostilidades contra suas vidas. Mais uma vez, reiteramos a urgência que o Poder Público atue de forma sistemática e permanente para conter a atividade do garimpo ilegal na Terra Indígena
Yanomami e garantir a segurança nas comunidades”, cobrou.

ESCALADA DE CONFLITOS

Conforme a Hutukara, o primeiro ataque aos indígenas ocorreu no dia 10 de maio, quando sete embarcações com garimpeiros armados atacaram a comunidade central de Palimiú. Já o segundo foi registrado no dia 16 de maio, quando bombas foram lançadas contra os Yanomami.

A comunidade Maikohipi, próximo a Palimiú, também foi atacada no dia 5 de junho com bombas de gás lacrimogêneo. Três dias depois, os garimpeiros retornaram à comunidade e atiraram contra Yanomami que retornavam de uma caçada. Os indígenas fugiram pelo rio.

No dia 11 de junho, garimpeiros armados mataram um cachorro a tiros e ameaçaram duas vezes, no mesmo dia, indígenas de Maikohipi. No dia 13 de junho, garimpeiros em três embarcações atiraram contra Palimiú. A última hostilização foi na quarta-feira (16), quando um grupo encapuzado atirou contra casas em Korekorema.

Conforme a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), foram enviados 13 ofícios entre abril de 2020 e maio de 2021 sobre a expansão do garimpo ilegal. Estima-se que mais de 20 mil invasores explorem ilegalmente a região em busca de ouro.

Os documentos destacam que a presença dos garimpeiros ameaça a segurança dos indígenas e propaga casos de coronavírus. Roraima tinha 6.094 casos de Covid-19 entre os povos indígenas até 1º de junho, segundo dados da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). O número de morte está em 143.

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