Dário Kopenawa: ‘Situação de desrespeito! Órgãos não priorizam segurança dos Yanomami’

Com os recentes episódios de violência no território indígena Yanomami, o vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, Dário Kopenawa, declarou ao Roraima em Tempo que as ameaças e intimidações de garimpeiros contra indígenas são constantes e refletem desrespeito do Governo Federal.

Segundo o líder indígena, o clima de tensão nas comunidades segue desde o primeiro ataque registrado no dia 10 de maio. “Estamos muito preocupados com essa situação que acontece há mais de um mês. Os garimpeiros continuam ameaçando nossos parentes. A comunidade Palimiú não está sendo ameaçada, mas outras comunidades ao redor daquela região estão. Os parentes estão correndo muito risco”, disse.

Mesmo com a série de denúncias encaminhadas aos órgãos fiscalizadores, ele avaliou que não há assistência necessária ao caso. “É uma situação de desrespeito! Os órgãos fiscalizadores não priorizam a segurança dos Yanomami. Vamos continuar denunciando e reivindicando nossos direitos. O Governo Federal tem o dever de cumprir o papel na proteção dos nossos parentes, que correm risco e estão vulneráveis”, lamentou.

As denúncias foram enviadas à Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF), Exército Brasileiro, e à Fundação Nacional do Índio (Funai). De acordo com Kopenawa, as comunidades mais vulneráveis são Maikohipi, Korekorema e Palimiú. “Eles já foram comunicados sobre os ataques com armas de fogos e as violências, mas não enviam as tropas para nos ajudar”, ressaltou.

TROPAS

Na segunda-feira (14), o ministro da Justiça, Anderson Gustavo Torres, autorizou o envio da Força Nacional para atuar na região. Os agentes serão enviados após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido de entidades de proteção indígena.

A decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do fim de maio, criticou a falta de transparência da União nas medidas tomadas e determinou que as equipes fiquem na Terra Yanomami até a retirada total dos invasores. A reportagem questionou o Ministério da Justiça sobre quando os agentes serão deslocados, mas ainda não obteve resposta.

O último registro de apoio na segurança dos Yanomami foi em 4 de junho, quando uma operação conjunta entre a PF e o Exército desativou sete garimpos ilegais. Não houve registro de pessoas detidas.

ATAQUES

O último ataque foi registrado nessa sexta-feira (18), quando garimpeiros afundaram uma canoa com seis crianças e dois jovens. Este foi o terceiro ataque em menos de uma semana. No dia 13 de junho, garimpeiros em três embarcações atiraram contra Palimiú, depois disso, na quarta-feira (16), um grupo encapuzado atirou contra casas na região de Korekorema.

No total, foram comunicados nove conflitos. O primeiro ocorreu no dia 10 do mês passado, quando garimpeiros em sete embarcações atiraram contra a comunidade Palimiú. O segundo foi registrado no dia 16 de maio, na mesma localidade, onde foram lançadas bombas contra os Yanomami.

A comunidade Maikohipi, próxima à Palimiú, foi atacada no dia 5 de junho com bombas de gás lacrimogêneo. Três dias depois, os garimpeiros retornaram e atiraram contra indígenas que voltavam de uma caçada. No dia 11 de junho, homens armados mataram um cachorro a tiros e ameaçaram duas vezes, no mesmo dia, indígenas do local.

GARIMPO

No fim de maio, a Hutukara divulgou imagens inéditas do avanço do garimpo e denominou a reserva como a nova “Serra Pelada”, em referência à região no Pará que teve a fauna e flora dizimada pela maior exploração de garimpo na década de 1980.

Em março de 2021, análises de imagens de satélite indicaram um total de 2.430 hectares destruídos pelo garimpo na Terra Yanomami, o que equivale a 24,3 milhões de metros quadrados. Estima-se que mais de 20 mil invasores explorem ilegalmente a região em busca de ouro.

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