Novo tiroteio é registrado em comunidade alvo de conflitos na Terra Indígena Yanomami

Garimpeiros em três embarcações atiraram, mais uma vez, contra a Comunidade Palimiú, Terra Yanomami de Roraima, nesse domingo (13). Esse foi o quinto ataque a tiros, além das bombas lançadas contra os indígenas.

O alerta sobre o ataque foi feito nesta segunda-feira (14) pela Hutukara Associação Yanomami à Fundação Nacional do Índio (Funai), Polícia Federal (PF), Exército Brasileiro e Ministério Público Federal (MPF).

Assinado pelo vice-presidente da entidade, Dário Kopenawa, o documento relata que o tiroteio iniciou por volta das 19h30. Com o ataque, os indígenas se esconderam na mata e os garimpeiros saíram nas embarcações em direção à região de garimpo. Não há relato de feridos.

“Segue urgente que o Poder Público atue de forma sistemática e permanente para conter a atividade do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e garantir a segurança nas comunidades, e interrompa a perpetuação da situação de ameaça aos indígenas”, solicitou.

O ofício também cita a falta de assistência médica para a comunidade. De acordo com Kopenawa, não há a possibilidade de pronto atendimento em caso de urgências.

FORÇA NACIONAL

Nesta segunda-feira (14), o ministro da Justiça, Anderson Gustavo Torres, autorizou o envio da Força Nacional para atuar na região. Os agentes serão enviados após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão assinada pelo ministro Luís Roberto Barroso criticou a falta de transparência do Governo Federal e determinou que as equipes devem ficar na Terra Yanomami até a retirada total dos invasores.

Em entrevista ao Roraima em Tempo, Dário Kopenawa avaliou o envio das tropas como um dever do Estado Brasileiro na assistência aos povos indígenas, uma garantia constitucional.

“As autoridades brasileiras ouviram as denúncias para o envio das tropas. Isso é uma responsabilidade do Governo Federal e é importante que a Força Nacional retire de verdade os garimpeiros ilegais, porque nós, povo Yanomami, estamos cansados”, desabafou.

CONFLITOS

Desde maio, este é o sétimo registro de conflitos na Terra Indígena Yanomami. O primeiro ocorreu quando sete embarcações com garimpeiros armados dispararam tiros contra a comunidade Palimiú. Já o segundo, foi registrado no dia 16 de maio, quando bombas foram lançadas no local.

A comunidade Maikohipi, próximo a Palimiú, também foi atacada no dia 5 de junho com bombas de gás lacrimogêneo. Três dias depois, os garimpeiros retornaram à comunidade e atiraram contra Yanomami que retornavam de uma caçada. Os indígenas fugiram pelo rio e não houve pessoas feridas.

O último caso ocorreu no último dia 11 de junho. Garimpeiros armados mataram um cachorro a tiros e ameaçaram duas vezes, no mesmo dia, indígenas da comunidade Maikohipi. O Ministério Público do Estado de Roraima estima que mais de 20 mil invasores explorem ilegalmente a região em busca de ouro. 

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