Servidores denunciaram à reportagem nesta segunda-feira (14) que o Hospital Geral de Roraima (HGR) não tem Actilyse, medicamento usado para desfazer coágulos que se formam nos vasos sanguíneos dos pacientes, ou seja, trombose.
Documento obtido pelo Roraima em Tempo mostra que um médico cardiologista escreve que um homem: “não foi trombolisado por falta de trombolítico no HGR”. O remédio é o Actilyse. A trombose pode levar o paciente a um infarto ou um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
“Essa medicação não tem no hospital, está em falta há meses. Existia há uns três ou quatro meses, mas ela venceu, e foi retirada. Pacientes que estão com trombo, que chegam com quadro de infarto, podem morrer, pois não usam a medicação para tentar ter uma chance de vida”, denunciou um servidor.
Procurada, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que o hospital foi reabastecido no último sábado (12). (Leia nota na íntegra ao final da reportagem)
MATERIAIS

Conversas obtidas pelo Roraima em Tempo entre enfermeiros mostram que continua a falta de material na unidade. Luvas, aventais e compressas de pano são alguns dos itens que não tem até mesmo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“Passamos o dia todo usando luvas de procedimento, o que não é indicado. Não tem Adrenalina, não tem Noradrenalina, não tem soro glicosado… Nós estamos é na merd*”, cita um áudio enviado à reportagem.
Uma mensagem obtida pelo Roraima em Tempo revela que um paciente teve parada cardiorrespiratória, mas não havia luvas no Hospital Geral de Roraima para iniciar o procedimento de reanimação.
“Paciente em parada na UTI 4 e não tem luva pra fazer manobra de RCP [ressuscitação cardíaca]. HGR pede socorro”, escreve uma servidora.

DENÚNCIAS
A falta de medicamentos e materiais médico-hospitalares é denunciada por funcionários e acompanhantes de pacientes desde o início da pandemia. A Sesau atribui a ausência de itens básicos à calamidade provocada pela Covid-19.
Contudo, diariamente, familiares conseguem adquirir os medicamentos em falta. Alguns se deslocam para Manaus, no Amazonas, para conseguir sedativos no mercado clandestino. O governo disse que devolve o dinheiro usado pelas famílias, mas mediante apresentação de nota fiscal.
Semana passada, a reportagem mostrou a falta de compressas de pano. Os pacientes tomam banho com atadura, material que pode machucar a pele. “Agora acabou mesmo. Nem atadura está sendo enviada. Tem colegas que rasgam o avental para poder dar banho. Muito difícil trabalhar”, comentou um funcionário.
CITADA
A Secretaria de Saúde informa que nesse sábado, dia 12, o estoque de medicamentos e materiais médico-hospitalares do HGR foi abastecido. Esclarece que a escassez de alguns medicamentos é um efeito mundial em razão da pandemia, o que deixou a indústria farmacêutica sem matéria-prima suficiente para atender a atual demanda.
Ressalta que nenhum paciente fica desassistido no HGR. Quando há falta de determinado medicamento, ele é substituído por similar. Além disso, a Sesau trabalha para manter as unidades abastecidas, realizando novos processos, requisições administrativas, para aquisição de itens não fornecidos, quando empresas desistem de participar dos pregões e quando há insucesso nos processos anuais.
Acrescenta que qualquer reclamação ou sugestão sobre atendimento nas unidades de saúde da rede estadual pode ser feita por meio da Ouvidoria, de forma presencial, na sede da Secretaria da Saúde, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, pelo e-mail [email protected] ou ainda no telefone da Ouvidoria: (95) 98410-6188.