DOCUMENTOS
Nessa quarta-feira (9), a CPI da Pandemia no Senado Federal tirou sigilo de documentos entregues pelos órgãos fiscalizadores. Alguns deles, referentes às compras durante a pandemia pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) mostram que o ex-coordenador Francisvaldo Melo Paixão e o ex-secretário Francisco Monteiro usaram a lei da oferta e da demanda para justificar os valores caros das compras que, posteriormente, foram identificadas como superfaturadas. Os documentos são referentes a compras de testes, insumos e os respiradores que nunca chegaram.
LEI
A lei da oferta e da demanda é simples: o produto fica caro quando há muita demanda e pouca oferta. Ou, quando contrário, fica mais barato quando há muita oferta e pouca demanda. Para os dois que assinam a nota de justificativa estava evidente que se podia praticar e pagar pelos preços exorbitantes. Em alguns contratos o sobrepreço chegou a R$ 2,5 milhões. Os documentos do Ministério Público Federal (MPF) e Estadual (MPRR) corroboraram com as investigações da Polícia Federal (PF). Os desvios, conforme o inquérito, chegam a R$ 20 milhões. O Roraima em Tempo e outros veículos noticiaram essa farra.
MENTIRA
Os novos documentos também sustentam uma verdade e escancaram uma nova mentira. Há semanas que o governo de Denarium afirma que as investigações contra a corrupção tinham sido iniciadas após ele protocolar denúncias nos órgãos de fiscalização. Contudo, os documentos divulgados pela CPI da Pandemia mostram que os processos investigatórios foram abertos a pedido do vice-governador Frutuoso Lins (Rede), e não por iniciativa de Denarium. A nova informação joga ainda mais abaixo a declaração de Denarium quando os relatórios da PF indicam que as investigações começaram após depoimento de Francisvaldo. Ou seja, Denarium tenta implantar o que no jornalismo denomina-se “fake news”.
CONTINUA
As informações divulgadas não causam um espanto comocional, já que, a Operação Desvid-19 tornou público o grande esquema de corrupção na Saúde Estadual. Isto é, os documentos revelados pela CPI da Pandemia apenas jogam mais barro sob a deplorável atual de Denarium. Aliás, é sempre bom lembrar, que a gestão é marcada por uma inconsequente troca de secretários da Saúde. Airton Cascavel foi premiado com a oitava indicação. Contudo, a entrada do empresário parece não ter surtido o efeito esperado. Ele assumiu em meio à falta de médicos e, ao que tudo indica, assim permanece. Mais do que isso: alguns problemas crônicos estão longe de serem resolvidos.
À MÍNGUA
O Hospital Geral de Roraima (HGR) é outro exemplo triste da falta de gestão. Explica-se! As chuvas dos últimos dias castigam que lá trabalha ou precisa de atendimento. Corredores inundados, pacientes removidos às pressas, verdadeiras torrentes de água caindo do teto, mas, em um movimento político da Sesau, é mais fácil acusar o serviço de drenagem que explicar os problemas no teto das unidades. Depois, a secretaria culpou as folhas no pátio do hospital… Só não dão um basta no problema, e buscam sempre um culpado para a incapacidade de administrar. É preciso questionar em meio a esse caos o fechamento de leitos de terapia intensiva e clínicos. A União liberou dinheiro para custear UTIs e estão faltando? Há algo às escuras que precisa ser desvendado.
MULTA
A juíza Daniela Schirato mandou cobrar o deputado Ottaci Nascimento (SD) a multa de R$ 5 mil que ele deve por propaganda irregular nas eleições do ano passado. Ele até recorreu, mas foi vencido no Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR). A magistrada deu 30 dias para que ele fique em dia com a Justiça. Caso contrário, pode sofrer novas penalidades, como ter o nome inscrito na dívida pública. Lembrando que o parlamentar tem algumas multas por causa de irregularidades na campanha de 2020, e teve de apagar publicações das redes sociais. Ao final, só restaram dívidas, pelo visto, pois vencer passou longe!
FALANDO NELE…
Por falar em Ottaci, ontem o Roraima em Tempo revelou que ele recorreu da decisão que o condenou por distribuir brindes e cestas básicas no ano passado, com intuito de se promover na campanha eleitoral. Por causa do crime, ele ficou inelegível pelos próximos oito anos. Contudo, no pedido obtido pelo jornal, a defesa de Ottaci alega que não há provas suficientes para condená-lo, muito menos deixá-lo inapto a disputar os pleitos futuros. Foram páginas e mais páginas de sustentação. Especialistas ouvidos pela Coluna avaliam que a juíza Daniela Schirato, quem cuida do caso, deve rejeitar o recurso eleitoral.
SEM NOÇÃO
O senador Telmário Mota (Pros) bem à falta de noção. Ele se tornou defensor incansável de Antonio Denarium, a quem chamou de nanico e corrupto assim que o gestor assumiu. A mudança de comportamento é trágica. Primeiro porque se uniu a alguém cuja popularidade é baixíssima, segundo porque ninguém, em sã consciência, buscaria parceria com um senador ridicularizado a nível nacional, terceiro que a última eleição, na qual Mota tentou o governo, mostrou que ele não deve retornar ao Congresso Nacional em 2022. É nítido que o político perde mais tempo discutindo em grupos de redes sociais que trabalhando. Lamentável que tenhamos que perder uma vaga no Senado com este senhor.
FALSIDADE
O senador Chico Rodrigues (DEM) é outro. Depois de ser flagrado com R$ 33 mil na cueca em operação que mirou a casa dele como um centro de corrupção, ele foi às redes sociais defender os indígenas, cobrar a Fundação Nacional do Índio (Funai) e chamou os Yanomami de irmãos. Contudo, uma pedra no sapato de Chico coloca em xeque as declarações. É que o parlamentar é investigado em outro inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostas irregularidades na contratação de serviços para atender justamente os indígenas do Distrito Especial Sanitário Indígena do Leste de Roraima (Dsei-Leste). Ele poderia explicar essas suspeitas que também recaem sobre eles, além das hipóteses levantadas pela Polícia Federal de que ele indicou empresas para contratos superfaturados na Saúde Estadual.
SEM DECLARAÇÃO
É também de se questionar o silêncio de Chico e Telmário Mota, que diz defender os indígenas, em meio aos ataques de garimpeiros aos Yanomami. Ora, a imprensa nacional revelou que um avião no nome de Chico Rodrigues fez várias entradas no garimpo ilegal na reserva indígena. Algum interesse por trás disso? Outra questão é a mudança de discurso de Temário Mota, que passou a defender pauta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de exploração mineral nas terras indígenas. Ou seja, algum interesse ele também tem. A verdade é que os dois só pensam no próprio umbigo e os “irmãos e parentes”, como eles chamam, estejam à própria sorte.
PERGUNTAS
- Por que Denarium insiste em dizer que foi ele o responsável pela operação de combate à corrupção no próprio governo?
- O que Telmário está ganhando para defender o governador com unhas e dentes?
- Chico Rodrigues vai explicar os motivos de estar sendo investigado por suspeitas de corrupção na Saúde Indígena?
PENSAMENTO DO DIA
“Na sua mente moram os problemas e também as soluções” – autor desconhecido.