Carlos Olímpio Melo da Silva, acusado de ser laranja do deputado Jalser Renier (SD), pediu à Justiça de Roraima o mesmo benefício concedido ao parlamentar: a liberação de bens eletrônicos apreendidos na Operação Royal Flush, deflagrada em janeiro de 2019.
Além dele, fizeram o mesmo pedido Christiano Pontes Thomé e Vanina Vanderlei Gadelha Thomé. A reportagem teve acesso exclusivo às solicitações.
Segundo o Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR), foram encontrados 339 imóveis no nome de Carlos Olímpio. Contudo, os bens seriam de Jalser Renier. Os esquemas na Assembleia Legislativa desviaram R$ 24,5 milhões, de acordo com o órgão. Jalser é indicado como mentor e maior beneficiado da fraudes.
A defesa de Carlos, Christiano e Vanina, alega que, até o momento, os bens e equipamentos eletrônicos apreendidos não foram devolvidos aos réus. O advogado acrescenta que o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) acatou pedido de Jalser e Cynthia Gadelha para liberar os bens eletrônicos. (Veja lista de bens)
“[Carlos Olímpio, Christiano e Vanina] encontram-se em situação objetivamente idêntica à dos corréus Jalser Renier Padilha e Cinthya Lara Gadelha Padilha, pelo que se afigura correto afirmar que também fazem jus ao direito à restituição dos equipamentos eletrônicos apreendidos no bojo da referida Operação Royal Flush, a exemplo do que restou decidido em favor daqueles corréus”, sustenta.
Em abril deste ano, o desembargador Ricardo Oliveira mandou devolver imediatamente celulares, tablets, computadores, HDs e pendrives, pertencentes ao casal. O desembargador argumentou que não era relevante saber se houve ou não a conclusão da perícia.
Contudo, o magistrado manteve as contas bancárias e os imóveis de Jalser e Cinthya bloqueados. A procuradora-geral, Janaína Carneiro, já se manifestou para manter os bens indisponíveis, como mostrou com exclusividade o Roraima em Tempo.
“Com a devida vênia, a decisão proferida, no aspecto da restituição dos aparelhos eletrônicos, não parece limitar efeitos apenas aos autores do agravo [Jalser e Cinthya]. Trata-se de reconhecimento de que houve extrapolação do tempo razoável para o cumprimento de diligência para o espelhamento dos bens”, frisa a defesa dos investigados.
Carlos Olímpio disputou uma vaga para vereador de Boa Vista nas eleições de 2020, mas não conseguiu se eleger. No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não consta nenhum bem cadastrado em nome dele.
CARTAS MARCADAS E ROYAL FLUSH

O Ministério Público deflagrou a Operação Cartas Marcadas em 2016, que apura esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no Legislativo. As fraudes foram em licitações para contratar serviços e aquisição de materiais.
A denúncia acusa os investigados de suposta participação em organização criminosa estruturada, formada por agentes políticos, servidores públicos, empresas privadas e operadores financeiros, denominados ‘laranjas’, que, entre 2010 e 2016, teriam fraudado os processos licitatórios.
Em janeiro de 2019, uma nova operação foi deflagrada: a Royal Flush, desdobramento da Cartas Marcadas, que investiga crimes de fraudes em processos licitatórios, contratos administrativos, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução de Justiça. Nove mandados de busca e apreensão e de sequestro de bens foram cumpridos.
MENTOR DO ESQUEMA
No decorrer das investigações, o órgão apontou que Jalser “estruturou e aperfeiçoou o esquema criminoso de desvio de recursos públicos do parlamento estadual realizado por meio de processos licitatórios simulados”. À época, o deputado acusou o MPRR de atuar por questões pessoais.
O Roraima em Tempo revelou que Jalser foi denunciado por improbidade administrativa, em fevereiro deste ano, por suspeita de desviar verbas públicas para construir uma garagem e uma área de lazer na residência dele, na zona Leste da capital, além de usar parte do dinheiro para construir o posto de gasolina da esposa.
Em dezembro de 2020, a decisão dos desembargadores permitia a devolução de outros bens, como joias, óculos, bolsas, quadriciclos, desde que fosse depositada a caução de mais de R$ 1 milhão. Porém, apenas R$ 14,6 mil foram depositados por Cinthya para ter de volta as joias.