Opinião: Os sem palavra

MUDAR

A transformação é parte da natureza. As paisagens mudam, os animais fazem isso para perpetuar a espécie e o homem muda para conquistar bem-estar e satisfazer suas necessidades. Mudar é normal e acontece de forma gradativa. O que não é normal são políticos mudarem tanto o seu discurso e a sua ação ao ponto de ter coragem de usar para outros fins, os recursos destinados ao combate do coronavírus.

PROVA

Em Roraima, o governador Antonio Denarium (Sem Partido) e o seu grupo de aliados são a prova disso. Na campanha, conquistaram a simpatia do eleitor dizendo que iam combater a corrupção, reduzir gastos e melhorar os serviços públicos. Porém, faltou ação. Tudo descrito aqui não passou de um mero discurso político que nem Denarium e menos ainda seus aliados estão dispostos a cumprir. A prova de que promessa pode até ganhar eleição, mas não significa que a vida das pessoas vai melhorar.

EXPECTATIVA

A única mudança esperada pela população era de que Denarium fizesse os serviços estaduais funcionarem. Em sua propaganda de televisão, ainda na condição de candidato, Denarium sabia na ponta do lápis o que entrava de recursos para o Governo do Estado e ainda fazia previsão do que iria fazer no seu mandato. Quem acreditou no governador teve suas expectativas frustradas.

PARA POUCOS

Denarium não fez nada para melhorar a vida das pessoas até pouco tempo atrás. Mas, o que explica a mudança repentina? Só existe uma resposta: a vontade de ser novamente governador. É vergonhoso que o plano de assistência da pandemia só comece a ser feito agora que as atividades comerciais estão praticamente normalizadas. Porém, antes tarde do que nunca. As cestas, os cartões e os kit de maternidade nem deveriam ser entregues diretamente pelo governador. Esse trabalho deveria ser feito de forma simples e silenciosa, preservando o aspecto da impessoalidade que é base da administração pública. Mas, Denarium e seus aliados transformam esses momentos em campanha eleitoral antecipada.

SÓ AGORA?

Antes de assumir, Denarium dizia que não faltava dinheiro em Roraima, mas sim gestão. O problema continua e nos grupos e whats uma pergunta interessante foi feita por um morador de Boa Vista que quiser saber o motivo de apenas agora, com quase três anos de mandato, Denarium passou a fazer essa farra com os recursos públicos, abrindo a torneira do seu mandato para tantos benefícios socioassistenciais. O comentário faz sentido quando se percebe que toda essa festa de entrega disso e daquilo só passou a acontecer depois que Denarium confirmou que vai concorrer à reeleição. Os órgãos e fiscalização precisam ficar atentos.

SEM PALAVRA 1

Se Denarium prometia que em seis meses, Roraima iria passar por um choque de gestão, ele esqueceu de dizer onde, Também abandonou a sua máxima de que dinheiro não é problema, mas sim a gestão. E por fim, mostrou que o combate à corrupção era só um discurso para conquistar votos. Na realidade, Denarium vendeu usa alma em fatias para senadores, deputados federais e estaduais que vão continuar fazendo farra com recursos públicos.

SEM PALAVRA 2

Mas não foi apenas Denarium que deixou de cumprir suas palavras. Os senadores Chico Rodrigues (DEM) e Mecias de Jesus (Republicanos) também esqueceram os discursos de campanha em cima do palanque. Chico dizia que era contra a corrupção e foi encontrado com dinheiro, que segundo a Polícia Federal, pode ter sido desviado do combate à pandemia, enfiado na própria cueca. Vergonha. Já Mecias não se incomoda tanto em deixar de cumprir as promessas que fez. A única coisa que interessa ao senador é manter os contratos firmados com o Governo Estadual por meio das empresas ligadas à sua família. Se eles estiverem lucrando, não há problema.

SEM PALAVRA 3

Mas o recordista nesse sentido, é mesmo o senador Telmário Mota (PROS). Seguindo para o último ano de mandato, ele chegou a imprimir um folheto mostrando a então presidente Dilma Rousseff, e comemorando a retomada das obras do Linhão de Tucuruí. Claro que nada aconteceu. Mas, a mudança repentina no discurso é o que mais marca Telmário como um homem sem palavra. Em relação a própria Dilma, ele era da sua base aliada, manteve um discurso de defesa da presidente até o momento de revelar seu voto, onde pediu o impeachment da presidente. Pra completar, ele ainda disse que se arrependeu do voto.

ONDE FOI PARAR?

Agora, Telmário aplica a mesma fórmula em relação ao governador Antonio Denarium. Até poucos meses, Telmário estava esbravejando na frente do Palácio do Governo chamando Denarium de agiota e dizendo até que iria mandar prender os governador, que na época segundo o próprio Telmário, era o pior governador de Roraima. Hoje, Telmário é o maior puxa-saco do governo. Quanto custou essa mudança, ninguém sabe. Para concluir as mudanças repentinas, um internauta relembrou uma propaganda antiga de Jucá que destacava o trabalho do ex-senador feito durante o período de transição do Território para o Estado. A mudança também aconteceu em relação ao presidente. Antes Telmário criticava Jair Bolsonaro (Sem Partido). Agora ela tenta recuperar a simpatia do presidente.

PERGUNTAS

  • Por que só agora Denarium está distribuindo tanta coisa?
  • O que o presidente Jair Bolsonaro pensa ao ver discursos como o de Telmário Mota?
  • Além da cueca do Chico, que outro lugar Denarium está usando para guardar o dinheiro de Roraima?

PENSAMENTO DO DIA

“Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna”- Matheus, 5:37.

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