Duas crianças são encontradas mortas após confronto na Terra Yanomami, afirma Associação

Duas crianças, de 1 e 5 anos, foram encontradas mortas às margens do rio Uraricoera, dois dias após conflito armado entre indígenas e garimpeiros, no dia 10 deste mês, na comunidade Palimiú, Terra Yanomami, , município de Alto Alegre, interior de Roraima. A informação foi divulgada nesse sábado (15) pela Hutukara Associação Yanomami durante relato de lideranças ao Ministério Público Federal (MPF).

Por meio de uma nota, eles afirmam que os óbitos foram causados pelo tiroteio. Com o confronto, diversas crianças fugiram e se refugiaram na mata. No dia seguinte, a comunidade realizou buscas pelos desaparecidos e encontraram outras crianças, contudo, os dois meninos continuaram desaparecidos.

“As lideranças estão muito tristes, de luto, cansados e que não estão dormindo direito por conta dos tiroteios que os garimpeiros vem fazendo contra a comunidade. Nós da Hutukara estamos muito preocupados com nossos parentes que estão sofrendo ameaças contra a própria vida”, destacou Dario Kopenawa, vice-presidente da entidade.

Kopenawa relata ainda que a comunidade está sem assistência de saúde, pois os profissionais foram removidos devido ao confronto. Além disso, ele acrescentou que não há Força Pública de Segurança no local para proteger a comunidade.

 “Os garimpeiros continuam diariamente amedrontando a comunidade, circulando armados em barcos ao redor da região. Na noite do dia 14 de maio eles entraram na comunidade, mas os Yanomami fugiram para se proteger na floresta. Nós queremos viver em paz na nossa terra com a floresta. As autoridades brasileiras precisam cumprir a responsabilidade de agir urgentemente para garantir a segurança dos Yanomami e dos Ye’Kwana, para proteger a Terra Indígena e a floresta do garimpo ilegal”, declarou.

CONFLITOS

No início dessa semana, sete embarcações de garimpeiros atacaram a comunidade Palimiú, onde vivem aproximadamente 30 mil indígenas. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), os barcos, chegaram por volta de 11h de segunda-feira (10) e os homens iniciaram o confronto, que resultou em cinco pessoas feridas, sendo um indígena e quatro garimpeiros.

A Polícia Federal enviou agentes para verificar a situação no dia seguinte, mas foi alvo de disparos de armas de fogo por parte dos garimpeiros. Os policiais revidaram o ataque e houve intensa troca de tiros. Indígenas relataram à reportagem “pânico e medo”.

Por conta da situação na comunidade, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) cobrou do ministro Luís Roberto Barroso a retirada urgente de garimpeiros da Terra Yanomami, para evitar genocídio por doenças, como malária e o coronavírus, e novos conflitos com armas de fogo. Ainda não há decisão.

No dia 12, centenas de garimpeiros protestaram no Centro Cívico de Boa Vista e negaram os conflitos.

Na quinta-feira (13), a Justiça ordenou que a União enviasse, em 24 horas, um efetivo policial para proteger a comunidade Palimiú. A informação foi repassada pelo Ministério Público Federal (MPF), autor do pedido.

Segundo o órgão, as forças de segurança devem atuar de forma permanente para evitar novos confrontos e garantir a segurança da população local. Caso a medida não seja acatada, o MPF pediu aplicação de multa. O valor não foi informado.

A exploração mineral é ilegal, alvo de manifestações e críticas das comunidades há décadas.  O Ministério Público Estadual (MPRR) estima que na Terra Yanomami existam 20 mil garimpeiros.  

CITADOS

O Roraima em Tempo entrou em contato com o MPF e com a Polícia Federal para saber quais medidas estão sendo tomadas devido ao caso e aguarda resposta.

 

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