Uma operação da Superintendência Regional do Trabalho no Estado de São Paulo, órgão ligado ao Ministério da Economia, resultou na autuação das cervejarias Ambev e Heiniken por crime de trabalho escravo. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (17) pelo jornal espanhol El País.
De acordo com o veícula, uma fiscalização realizada no dia 3 de março deste ano identificou que 22 imigrantes venezuelanos e um haitiano trabalhando em condições análogas à escravião para uma transportadora terceirizada, a Sider, que presta serviço para as duas empresas.
Segundo o órgão, os trabalhadores moraram por meses na boleira de caminhões que utilizavam para trabalhar. Os veículos ficam estacionados nas sedes da empresa nas cidades de Limeira e Jacareí, ambas situadas no interior de São Paulo.
O órgão descobriu ainda que os imigrantes não tinham direito a alojamentos, algo que é previsto por lei. Eles também não tinham acesso a água potável. Por conta disso, os trabalhadores resgatados receberão R$ 657.270 de indenizção, cerca de R$ 28.576 para cada.
Em resposta, a Ambev admitiu ter conhecimento do caso e reforço que as denúncias foram feitas sobre uma empresa terceririzada de pequeno porte, que atua sovre demanda. A cervejaria destacou ainda que está tomando medidas para que esse tipo de crime não aconteça mais.
“Seguindo as orientações e com a concordância dos auditores fiscais do trabalho, garantiremos que a fornecedora contratante fizeram o pagamento de todas as verbas e indenizações trabalhistas e que a transportadora providenciasse o retorno dos motoristas ao local de origem ou vida de seus familiares, conforme a escolha de casa um”, completou.
Já a Heineken declarou que repudia qualquer forma de atuação que não respeite os direitos fundamentais dos trabalhadores.
“Em respeito a esses trabalhadores, bloqueamos os créditos que o fornecedor possuía a receber em decorrência dos serviços prestados, até que as indenizações acordadas entre a transportadora e o Ministério Público do Trabalho sejam pagos integralmente. Vale ressaltar que todos os fornecedores da Companhia passam por um rigoroso processo de seleção e assinam um Código de Conduta onde se comprometem a cumprir integralmente a legislação trabalhista e de direitos humanos”, finalizou.