Dois novos ataques de garimpeiros contra indígenas foram registrados nas comunidades Palimiú e Korekorema, Terra Yanomami em Roraima. Esses são os primeiros ataques após operação da Polícia Federal (PF), deflagrada no dia 29 de junho, para retirar os garimpeiros região.
Ofício da Hutukara Associação Yanomami, desta quarta-feira (14), narra que o primeiro ataque foi realizado no dia 8 de julho, às 10h30, em Korekorema, onde um grupo de mulheres indígenas que procuravam um jovem que havia desaparecido no rio foi alvo de tiros. Segundo a organização, quatro disparos foram efetuados.
Já no dia 13 de julho, o ataque foi Palimiú, às 2h,. De acordo com a Hutukara, dois barcos lotados de garimpeiros chegaram à comunidade e dispararam dez tiros na direção dos indígenas, e fugiram para o acampamento. Não foram identificados feridos em nenhum dos ataques.
O documento, assinado pelo vice-presidente da Hutukara, Dário Kopenawa, foi encaminhado à Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami, Polícia Federal 1ª Brigada de Infantaria da Selva do Exército, e ao Ministério Público Federal em Roraima (MPF-RR).
Dário reiterou a necessidade de continuar ações das Forças de Segurança e explicou que, enquanto perdurar a presença dos garimpeiros, a sensação de insegurança e a possibilidade de novos ataques serão constantes na vida dos indígenas.
“Apesar das recentes e bem-vindas ações de desmonte de garimpos ilegais na região, o relato indica que as comunidades indígenas continuam submetidos à constante ameaça armada em razão da perpetuação do garimpo no interior da Terra Indígena Yanomami, demandando a continuidade de ações de repressão à atividade ilícita do garimpo na região e o bloqueio permanente da logística que permite sua perpetuação”, escreve Dário.
CONFLITOS
As comunidades indígenas Yanomami têm sido alvo de ataques de garimpeiros desde maio. O primeiro ocorreu no dia 10 daquele mês, quando sete embarcações com garimpeiros armados dispararam tiros contra Palimiú. Já o segundo foi registrado no dia 16 de maio, quando bombas foram lançadas no local.
No dia 5 de junho, a comunidade Maikohipi, próxima a Palimiú, também foi atacada com bombas de gás lacrimogêneo. Três dias depois, os garimpeiros retornaram e atiraram contra Yanomami que retornavam de uma caçada. Os indígenas fugiram pelo rio e não houve pessoas feridas.
O último caso tinha sido denunciado no dia 18 de junho, quando Dário narrou que garimpeiros afundaram uma canoa onde estavam seis crianças de aproximadamente 11 anos, e outros dois jovens.
Ainda em meio, provocado por 17 entidades de defesa dos povos indígenas, o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou que a União retire, imediatamente, os invasores da região. A PF afirma ter um planejamento pronto para as ações.