Pacientes tomam banho há quatro meses com atadura por falta de compressa no HGR

Pacientes internados no Hospital Geral de Roraima (HGR) recebem banho com atadura por causa da falta de compressas adequadas para o atendimento. A denúncia foi enviada ao Roraima em Tempo nesta terça-feira (8) por servidores da unidade.

“Estamos sem compressas de pano para dar banho nos pacientes há quase quatro meses. É desumano! Não é material adequado”, declarou uma das fontes.

Em maio de 2020, a reportagem revelou que a falta de compressas já era um problema enfrentado na unidade. À época, os pacientes ficaram até 48h sem tomar banho. Em abril deste ano, o jornal voltou a mostrar a falta deste material, além da ausência de luvas, máscaras e lençóis.

“A maioria dos aparelhos não tem braçadeira para verificar a pressão do paciente, e a exigência é grande. O que vamos fazer? Comprar com nosso salário?”, questionou uma servidora de maneira reservada.

MEDICAMENTOS

O HGR é o maior hospital do estado e atende pessoas contaminadas pelo coronavírus. Atualmente, opera em capacidade máxima nos leitos clínicos e atingiu 80% de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Ontem, mais 10 mortes pela doença foram confirmadas.

Além dos números preocupantes, outra reclamação dos funcionários é a falta de medicamentos para tratar os pacientes. De acordo com eles, não há medicamentos básicos, como Plasil e Dipirona.

“Se não bastasse, piorou ainda mais. Sem Noradrenalina, Diclofenaco Sódico não tem há cinco meses, só temos soro fisiológico de 500 ml, e até adrenalina está escassa, pois está sendo usada na falta da Noradrenalina. E assim vamos passando”, lamentou um servidor.

DENÚNCIAS

No último ano, a reportagem recebeu dezenas de denúncias sobre a falta de medicamentos no HGR. Algumas famílias recorreram ao mercado negro em Manaus, no Amazonas, para conseguir sedativos para tratar parentes internados em estado grave.

Em fevereiro deste ano, o então secretário da saúde Marcelo Lopes disse que havia desvio de remédios na unidade, e foi confrontado por servidores, que o acusaram de perseguição. Lopes foi substituído no fim de abril por Airton Cascavel em meio à falta de médicos nas unidades de saúde do Estado.

CITADA

A Secretaria de Saúde esclarece que a escassez de medicamentos é um efeito mundial em razão da pandemia de Covid-19, o que deixou a indústria farmacêutica sem matéria-prima suficiente para atender a atual demanda.

Assim, quanto ao medicamento Noradrenalina, a Coordenadoria Geral de Assistência Farmacêutica informa que está fazendo requisições administrativas para compra e envio para as unidades, uma vez que o processo anual de aquisição não obteve êxito.

Sobre a falta de dipirona e plasil, esclarece que a licitação para aquisição desses medicamentos deu deserta e que será feita uma nova tentativa de aquisição para abastecer a unidade.

E ainda, semanalmente é enviado para as unidades que solicitam insumos para o uso do glicosímetro.

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