A falta de medicamentos para pacientes internados no Hospital Geral de Roraima (HGR) voltou a ser alvo de denúncias. Nesta terça-feira (8), familiares relataram ao Roraima em Tempo que a unidade não tem Polimixina B e Noradrenalina.
Internado há 46 dias com Covid-19, o pai de Mikaelly Almeida, de 68 anos, está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e precisa da Noradrenalina para controlar os batimentos cardíacos. A filha contou que desde que foi internado, já é a segunda vez que falta a medicação na rede de saúde.
“Durante esse tempo, ele faz uso da Noradrenalina para manter a pressão e os batimentos cardíacos. Na primeira vez que o medicamento faltou, a equipe médica tentou usar outro remédio, mas o organismo dele não aceitou e o quadro piorou devido à falta da medicação”, relembrou.
A falta de Noradrenalina foi noticiada pelo Roraima em Tempo nesta terça-feira. Segundo servidores, o HGR não tem Plasil, Dipiroma, Diclofenaco Sódico, além de compressas de pano. Por causa disso, os pacientes são banhados com atadura, que pode machucá-los.
Os familiares se mobilizam na internet para conseguir doações do insumo até a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) disponibilizar os insumos. “Conseguimos a doação de algumas ampolas. Em seguida, a Sesau providenciou. Na sexta-feira passada a medicação faltou novamente e nós usamos as que foram doadas antes”, disse Mikaelly.
SEM RECEITA
Mikaelly buscou respostas pelos canais de atendimento à população da Sesau, mas sem sucesso. A filha do internado revelou ainda que outros acompanhantes já planejam buscar a medicação por vias clandestinas.
“A Sesau não responde as mensagens e não atende. Não temos nem previsão de quando a medicação vai chegar. Ficamos de mãos atadas porque não podemos comprar em farmácias e não tem receita médica. Só o governo pode comprar. Estamos correndo para todos os lados”, lamentou.
Em março deste ano, a reportagem mostrou que a falta de insumos no HGR fez com que familiares de pacientes internados com Covid-19 se deslocassem até Manaus, no Amazonas, para comprar o medicamento sem receita médica.
À época, o governador Antonio Denarium (sem partido) prometeu ressarcir o valor para quem comprou os medicamentos. No entanto, o dinheiro só seria pago se fosse entregue nota fiscal.
A medida foi criticada, já vez que os insumos, na maioria das vezes, foram adquiridos no mercado clandestino, pois não são vendidos em farmácias comuns. Ou seja, não possuem nota fiscal.
DOAÇÕES
Mikaelly mencionou que por meio de uma doação o pai tem o medicamento garantido para hoje. “Nós conseguimos de uma paciente que já recebeu alta hospitalar da UTI e é o que ele tem hoje. Estamos lutando para conseguir por meio de doações e ficamos nesse desespero”, externou.
O caso é semelhante ao pai de Anna Karine. Com 70% do pulmão comprometido e internado há 15 dias, o paciente de 45 anos adquiriu uma bactéria. A medicação para tratamento, Polimixina B, também está em falta na unidade de saúde.
“Ele adquiriu uma bactéria resistente e estamos atrás do medicamento para tratar. O estado não tem, já procuramos em outros locais e está em falta. Com isso a gente começou uma campanha nas redes sociais para conseguir encontrar”, disse.
Para doar o medicamento Noradrenalina basta entrar em contato com o telefone (95) 99131-3712. Já para o Polimixina B a família disponibilizou o telefone (95) 98129-6804.
CITADA
A Secretaria de Saúde esclarece que a escassez de medicamentos é um efeito mundial em razão da pandemia de covid-19, o que deixou a indústria farmacêutica sem matéria-prima suficiente para atender a atual demanda.
Assim, quanto ao medicamento Noradrenalina, a Coordenadoria Geral de Assistência Farmacêutica informa que está fazendo requisições administrativas para compra e envio para as unidades, uma vez que o processo anual de aquisição não obteve êxito.
Sobre a falta de dipirona e plasil, esclarece que a licitação para aquisição desses medicamentos deu deserta e que será feita uma nova tentativa de aquisição para abastecer a unidade. E ainda, semanalmente é enviado para as unidades que solicitam insumos para o uso do Glicosímetro.