A Ordem dos Advogados do Brasil em Roraima (OAB-RR) enviou nessa quinta-feira (1º) uma recomendação ao governo e à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), para cobrar a abertura de novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no Hospital Geral de Roraima (HGR). Um comunicado também foi enviado ao Ministério Público.
Ontem, a unidade referência para tratamento da Covid-19 atingiu 100% de ocupação das UTIs. A Ordem citou o caso de um advogado, hospitalizado há 48 horas, sem acesso à terapia intensiva por falta de leitos. A superlotação coloca o estado em “zona de alerta crítico”, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Segundo o presidente da OAB-RR, Ednaldo Vidal, nos últimos oito dias a instituição recebeu diversas reclamações de familiares de pacientes sem assistência no HGR, como o caso do advogado. Outra denúncia feita é da falta de medicamentos para quem está internado no hospital, como Clexane, Tilatil e Dipirona.
“O Hospital Geral entrou em colapso. Pessoas estão na fila aguardando vaga na UTI. Esses pacientes estão debilitados, intubados, esperando um espaço para ir para o Trauma, e, depois, quando tiver vaga, para a UTI, já que só a UTI levará a uma chance de salvação”, declarou Vidal.

FECHAMENTO
Entre maio e junho deste ano, a Sesau fechou 36 leitos de UTI. Antes eram 90, agora são apenas 54, com todos lotados. Fontes do Roraima em Tempo indicam que a secretaria pretende abrir novos leitos nesta semana, mas o local não tem estrutura para receber os pacientes.
No mês de janeiro, a Sesau firmou acordo com o MPRR para implantar 40 novos leitos de emergência e 101 para internações estáveis. À época, o estado enfrentava a segunda onda da pandemia, e o órgão não descartava pedir o “lockdown”.
Além das UTIs, dados do boletim da Secretaria de Saúde mostram que o HGR opera acima da capacidade com os leitos clínicos: em 107%. No total, 299 pacientes estão internados em cinco unidades de saúde estaduais. Desde o início da pandemia, Roraima registra 112.927 casos de coronavírus e 1.750 mortes.
“Tem paciente que não toma banho por falta de compressa de pano, nem lençol para trocar. Muitos pacientes ficam sujos, porque não tem como limpar. Não tem atadura, porque não querem mandar, sabem que vamos usar para dar banho. Venceu Cetoprofeno, Isordil, e outras medicações”, declarou uma servidora sob anonimato.
CITADA
A Secretaria de Saúde informa que não foi notificada sobre a recomendação da OAB, mas que todas as recomendações são bem recebidas e avaliadas com cautela e atenção, uma vez que a Sesau atua com o foco no trabalho integrado em prol da saúde roraimense.
O Ministério Público disse que recebeu o documento, e lembrou que em janeiro a Promotoria da Saúde ajuizou Ação Civil Pública para a ampliação dos leitos de tratamento da Covid-19 e, desde então, acompanha a situação diariamente.
“No dia 18 de junho, a Promotoria da Saúde se manifestou no processo em andamento, solicitando informações sobre número de leitos e médicos, além da quantidade de medicamentos e aguarda resposta do Estado”, finalizou.