Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que Roraima registrou 74,3 km² de área sob alerta de desmatamento no primeiro semestre de 2021.
Apesar de os indicadores revelarem redução de 23,7% em comparação a mesmo período de 2020, organizações alertam para a necessidade de ações para preservar a Amazônia. Ano passado, esse índice ficou em 97,06 km² nos primeiros seis meses.
Em toda a Amazônia Legal são mais de 7,5 mil km² sob alerta de desmatamento no primeiro semestre deste ano, com mil km² apenas em junho, recorde para o mês desde o monitoramento iniciado em 2016.
Os dados revelam que março de 2021 foi o mês de maior alerta em Roraima, quando 26 km² estavam em risco de desmatamento. Algumas das atividades responsáveis pelos índices são: extração de madeira, o desflorestamento para plantação e o garimpo ilegal.
Fim de maio, a Hutukara Associação Yanomami divulgou imagens inéditas do desmatamento provocado pelo garimpo na Terra Indígena Yanomami. Satélites indicaram um total de 2.430 hectares destruídos pela atividade ilegal. Para combater a prática, a Polícia Federal (PF) e outros órgãos deflagraram a Operação Omama.
GESTÃO BOLSONARO
Roraima em Tempo mostrou que organizações indígenas alertaram o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o desmatamento na região. As entidades criticaram a atuação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) no combate à derrubada da floresta.
Na mesma linha de defesa, o Observatório do Clima informou que, sob a gestão de Bolsonaro, o desmatamento anual na Amazônia Brasileira deve ultrapassar pela terceira vez a marca de 10 mil km² de destruição florestal, o que não ocorria desde 2008.
“O fato é que não há controle do desmatamento. O governo renunciou à obrigação de combater o crime ambiental. Além de discursos contra o Ibama e o ICMBio, Bolsonaro promoveu mudanças em normas e imobilizou a estrutura de fiscalização”, critica a organização.
Mês passado, Ricardo Salles foi exonerado do cargo de ministro do Meio Ambiente. A gestão dele foi tumultuada, com atos e declarações de enfrentamento a ambientalistas. Salles é ainda investigado por suspeita de envolvimento na exportação ilegal de madeira. Especialistas atribuem a ele grande parte das consequências na Amazônia.
“Desde o início, o regime Bolsonaro sabota órgãos de fiscalização ambiental e adota medidas para favorecer quem destrói florestas. Os altos índices de desmatamento não ocorrem por acaso: são resultado de um projeto do governo. Bolsonaro é o pior inimigo da Amazônia”, afirmou o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini.